Feridas demoram a sarar Autor: Pedro Cardita
Ele vai falar com ela, para restabelecer a forte amizade que existiu.
Não tem sido nada fácil suportar a frieza que mostram um ao outro, o evitarem olharem-se quando à uns meses atrás davam-se tão bem.
Feriram-se de tal maneira que já é a terceira tentativa que ele faz para voltarem a falar normalmente sem se voltarem a magoar.
Quando ele quer falar em paz, ela não quer e vice-versa.
Mas ele sente que tem de dar um passo firme que enterre o machado de guerra.
Começa a falar cordialmente com ela, em conversa circunstancial de modo a perceber se ela está disposta a manter contacto.
Ela vai respondendo cautelosamente e cada vez que supõe que ele quer tocar nas feridas, tenta mudar o rumo da conversa.
Devagarinho, ele tenta manter a conversa viva e tocar nos pontos frágeis para corrigir os erros.
Ela reage, afirmando que o que aconteceu é passado e não quer mais pensar no assunto.
Ele pede-lhe desculpa por ter sido bruto e não ter tido noção de quando devia de parar de a magoar.
Ela volta a insistir que não quer mais falar do passado e que a persistência dele a irrita.
Cabisbaixo, ele fica em silêncio sem saber o que lhe dizer mais e arrependido pelo que fez.
Um silêncio penoso paira entre eles durante uns instantes.
É o sinal da confiança traída entre duas pessoas que aprenderam a conhecerem-se e gostavam de estar na companhia uma da outra, falando e desabafando sobre as suas vidas.
Inconformado, ele olha-a nos olhos, diz-lhe que a adora e não quer perder a sua amizade.
A amizade deve prevalecer em vez de se perder…morrer.
Ela responde para deixar o tempo passar e não a sufocar.
No fim, nem um nem outro ficam totalmente satisfeitos, pois a amizade continua muito tremida, apesar de ambos quererem que volte ao normal.
FIM

Comentários
Enviar um comentário