Compreende os outros, compreende-te a ti próprio!

Ele pensava que ela simplesmente tinha um tremendo mau feitio e muita teimosia.
Ela tinha grandes oscilações de humor, que não conseguia controlar e tinha noção disso.
Ora sentia-se muito feliz, ficando demasiado enérgica, ora ficava com má cara, recolhida no seu canto e de poucas e azedas palavras.
Ele sentia que ela tinha mais valor do que imaginava e impôs a si próprio a missão de a tirar da escuridão onde estava embrenhada.
Mesmo quando ela descarregava em cima dele, ele engolia e levava para o lado positivo, usando o humor, para abafar a negatividade.
Ela sentia e despejava raiva incontrolável, seguida de frustração, que era substituída por euforia excessiva até atingir uma falsa sensação de poder que conduzia a um enorme vazio.
A sua degradação era constante e imparável.
Impotente e irritado por não conseguir ajudá-la, ele também explodiu, por não suportar mais as mudanças dela.
Nunca mais conseguiram entender-se, para desgosto de ambos.
A custo, com o passar do tempo, ele aprendeu a aceitar as imperfeições dela. 
Ela também lhe serviu de espelho, para saber onde também pode melhorar.
Percebeu que apenas tem que se preocupar com a sua vida e que não pode, nem deve forçar os outros a serem consoante o que ele pensa ser certo ou errado.
Recorda com carinho o tempo que passaram juntos, aprendeu a valorizar a imperfeição e que chocar com os outros, porque não correspondem aos nossos desejos ou expectativas, só destrói o que de bom existiu.


FIM



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