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A mostrar mensagens de agosto, 2018

Um Coração Encontrado Autor: Pedro Cardita

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Na praia, ela encontrou uma pedra com o formato de um coração. Com o telemóvel, fotografou a pedra e colocou a fotografia no Instagram. Ele viu a fotografia e escreveu-lhe a perguntar se era um coração perdido ou improvisado. Ela respondeu que é um coração encontrado, porque onde menos esperamos, existem corações à espera de serem encontrados e estimados. FIM

Pressão Alta Autor: Pedro Cardita

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Ela primeiro começa a gemer. Depois a choramingar. Entretanto saltita. Mete-se em pé e prime a pata contra a perna do dono que está sentado, na cadeira, à mesa. Com as patas da frente, começa a raspar-lhe as calças. Ele resmunga e diz-lhe para estar calada e sossegada. Chateada, ladra. Cada vez que vê o Dono comer, lambe-se. Volta a saltitar e não pára de ladrar. Olha para a mesa, olha para o Dono e vice-versa. Parece não se cansar, pois continua também a raspar as pernas dele. Farto da persistência, o Dono acaba por ceder. No fim, ela consegue sempre petiscar um pouco de tudo, desde as entradas, à refeição principal e acabando na sobremesa. FIM

Noite de Amigos Autor: Pedro Cardita

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A noite está quente. Uma verdadeira noite de Verão. Dois amigos de longa data, andam pelas ruas ou de bar em bar, a partilharem as suas experiências. Num bar, reencontram um amigo que já não viam à algum tempo. Falam dos seus trabalhos, dos seus gostos, das suas vivências. Em comum, partilham a paixão pelas artes, com cada um a ter um hobby relacionado com diferentes tipos de expressão artística. Bebem uns copos para se irem refrescando, face ao calor que se faz sentir, mas não exageram no álcool. Preferem ir conversando sobre o que os faz gostarem imenso dos seus hobbies e das peculiaridades inerentes.  Também trocam opiniões sobre assuntos complexos. As horas passam a correr, mas a partilha de experiências, torna a noite bastante agradável e inesquecível. É esta a essência de uma noite de amigos. FIM

Partida Autor: Pedro Cardita

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Ele lamentava-se que nem a imaginação queria nada consigo. Estava farto de tentar e não conseguia de maneira nenhuma, escrever um conto que lhe agrada-se. Matutava imenso, à procura de razões para entender o bloqueio. Quando menos esperava, eis que a imaginação lhe pregou uma partida. As ideias começaram a aparecer…em força! Mas não tinha onde as anotar. Até o telemóvel estava esquecido em casa. Foi revendo cada ideia várias vezes, como se estivesse a decorar texto. Aguentou o máximo que conseguiu, até chegar a casa. É abordado pela sua irmã mais nova que começa a tagarelar. Ele tenta a afastar, mas não consegue e quando vai para anotar as ideias, já não se lembra de maior parte delas. A frustração toma conta de si, pois tem plena consciência que perdeu histórias cheias de potencial e importantes para o seu futuro. FIM

A Caixa de Sapatos Autor: Pedro Cardita

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A caminho do carro, vê uma caixa de cartão de sapatos fechada, atrás da roda direita traseira. Dá um pontapé na caixa e afasta-a, para fazer marcha-atrás sem obstáculos. Entra no carro, liga-o, faz marcha atrás e apesar da caixa de sapatos ficar fisicamente no chão, fica a remoer-lhe no pensamento. Intriga-o o que aquela caixa de sapatos estava a fazer atrás da sua viatura. Acha muito estranho. De repente, lembra-se que a caixa de sapatos pode conter bruxaria. Como logo de seguida começa a bocejar, ainda fica mais desconfiado. Pensa em quem poderia desejar-lhe mal. Não se lembra de ninguém. Mas pensa que existem muitas pessoas invejosas. Liga o rádio do carro para tentar esquecer o assunto. Porém não lhe sai da ideia porquê que a caixa de sapatos tinha de estar atrás do seu automóvel em vez de estar noutro lugar. Durante o caminho vai pensando nas consequências de ter ponteado a caixa de sapatos, caso esteja mesmo enfeitiçada. Pensa que nas próximas semanas terá que ser ba...

Um Desabafo... Autor: Pedro Cardita

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Vida errante, para onde me levas? Ando às voltas, com sonhos por cumprir, que parecem fugir de mim! Sinto que estou a passar ao lado de tanta coisa. Não sou um fantasma! As falhas que tenho vou lapidá-las! Onde devia estar e ainda não estou, lá chegarei! Quero e vou deixar a minha marca... E acontecerá enquanto estiver vivo! FIM

Fusão Autor: Pedro Cardita

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Sentados numa cama, estão frente a frente, olhos nos olhos. Ela tem o cabelo comprido. Ele está com o cabelo volumoso. Ambos pegam em máquinas de cortar cabelo. Primem os botões e começam a ouvir os sons ruidosos das máquinas, que deixam-nos arrepiados. Sorriem um para o outro. Ela passa a máquina pelo topo da cabeça dele, rapando-lhe o cabelo. Ele passa a máquina pelo lado direito do cabelo dela, também rapando-lhe o cabelo. Ela rapa o lado esquerdo do cabelo dele. Ele rapa o lado esquerdo do cabelo dela. Ela rapa o lado direito e a nuca dele. Ele rapa a parte de cima e a nuca dela. Ela volta a passar a máquina por todo o cabelo dele, até o deixar completamente careca. Ele faz o mesmo. Passam as mãos pelas cabeças rapadas um do outro e sorriem. Encostam as testas uma à outra. Beijam-se, desejam-se e envolvem-se sexualmente. FIM 

Quem tudo quer... Autor: Pedro Cardita

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Ele não tinha por hábito jogar. Mas numa ida casual ao casino na companhia dos amigos, decidiu tentar a sua sorte na roleta virtual. Começou por investir pouco. Durante algum tempo, amealhou pouco dinheiro, mas o suficiente para ir permanecendo em jogo. Continuou a jogar, por diversão e de um momento para o outro, acertou no número certo, aumentando significativamente a quantia monetária. Sorriu, sentindo-se bafejado pela sorte. Na jogada seguinte, voltou a acertar em cheio! Pensou para si mesmo: “Sorte de principiante!”. Entretido, continuou a dar seguimento ao jogo. Teve altos e baixos, ora ganhando, ora perdendo, mas lá se foi aguentando algum tempo. Porém, voltou a calhar o número em que apostou. A partir daqui, a subida acentuou-se com algumas apostas ganhas e um bom dinheiro a ser amealhado. Pensou em sair, para arrecadar o dinheiro ganho, mas foi tentado a ganhar ainda mais. A partir do momento em que começou a perder, a queda foi muito rápida. Com t...

Loira Autor: Pedro Cardita

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A primeira vez que a viu com o cabelo pintado com madeixas loiras ficou agradavelmente surpreendido. Elogiou-a, dizendo-lhe que ficava muito mais bonita e que a nova cor a fazia resplandecer. Ela agradeceu o elogio e confessou que quando fez a mudança pensou que estaria a cometer uma loucura. Ele reforça que há loucuras que valem a pena serem cometidas e faz ela soltar um sorriso genuíno. Com ar divertido, ele diz-lhe que a irá começar a tratar carinhosamente por…Loira. FIM

Pesadelo Autor: Pedro Cardita

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Ela está irrequieta na cama. Vai fazendo algum barulho e por vezes geme aflita. Está a sonhar na sua pequena cama, mesmo ao lado da cama do seu dono. Ao ouvi-la gemer, preocupado, ele acende a luz do candeeiro de presença que está na mesa-de-cabeceira, atrás da cama dela e passa-lhe a mão pelo focinho. Ela acorda estremunhada e amedrontada. - Então…foi um pesadelo?- pergunta-lhe com voz meiga, ao mesmo tempo que lhe faz festas. Ela olha com um ar ainda um pouco aflito. Ele continua a fazer-lhe festas, ela fecha os olhos e volta a abri-los como a agradecer pelo carinho. Olha enternecida para o seu dono, satisfeita com os mimos que vai recebendo. - Vá…já passou.- conforta-a. Ela aconchega-se na cama e finalmente dorme sossegada. FIM

Contacto Humano Autor: Pedro Cardita

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Conheceram-se através do Facebook e apenas têm comunicado pelo Messenger. Estão várias vezes em contacto um com o outro. Têm tido prazer em conhecerem-se. Ele confessa-lhe que lhe faz confusão comunicar, sem ver a sua cara, os seus gestos, para além de não ouvir a sua voz. Ela provoca-o e diz-lhe para ver o lado positivo, dando asas à sua imaginação. Ele responde que prefere não criar expectativas. Ela pergunta-lhe se tem medo de se desiludir. Eis que ele lhe responde: - Gosto de falar cara a cara, olhos nos olhos, com as pessoas que merecem o meu respeito e a minha confiança, porque nada substitui o contacto humano! FIM

Sessão Fotográfica Autor: Pedro Cardita

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Ele andava de volta dela para a fotografar. Instigava-o ela andar sempre sem maquilhagem, sem esconder as marcas do tempo, dos altos e baixos na vida. - Não quero fazer estragos na tua máquina. - respondia ela no gozo. Mas ele mantinha a esperança de um dia conseguir fazê-la mudar de ideias. Quando menos esperava, recebeu uma mensagem dela no telemóvel, a perguntar-lhe se ainda tinha vontade de a fotografar. Olhou perplexo para o ecrã do telemóvel, não acreditando no que estava a ver. Ligou-lhe de imediato e perguntou-lhe se ela estava a gozar. Em tom sereno, ela voltou a perguntar-lhe se ainda tinha interesse em fotografá-la. Ele respondeu que sim e combinaram um dia. Ele pensou que à última da hora ela ia desistir, mas no dia combinado apareceu. A sessão decorreu num ritmo calmo e intimista. Ele foi bastante cuidadoso a dar-lhe as indicações. De vez em quando, parava de fotografá-la e mostrava-lhe as fotos. Gradualmente ela foi gostando das fotos. Finaliz...

A Boneca Autor: Pedro Cardita

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Uma Boneca com cabelo preto está encostada na prateleira de um quarto a assistir às lamúrias da sua amiga. Só desejava estar no lugar dela para poder viver a vida! A Rapariga agarra na boneca e recorda os momentos de infância em que brincava com ela, sem ter preocupações. Sem ter preocupações, é assim que deseja viver, mas só a boneca que tem na mão pode ter isso, por ser um mero objecto. Um dia, a Rapariga vê o seu quarto do ponto de vista da Boneca. Tenta levar a mão ao rosto, para se beliscar, mas não consegue. Pensa se estará a sonhar, mas parece ser bastante real. Imóvel na estante, resigna-se a ver a Boneca que ocupou o seu lugar, a rir, a chorar, a regozijar, a gritar, a saltar, a gesticular, aproveitando a oportunidade de…viver! FIM

Tu Próprio! Autor: Pedro Cardita

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Combate a rotina, dá largas à criatividade. Preserva e instiga a tua espontaneidade, a rebeldia, a veia sonhadora.  Não sejas um autómato, controlado pela sociedade destrutiva que insiste em apagar o que tens de melhor. Sê tu próprio!  És único! FIM

Compreende os outros, compreende-te a ti próprio!

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Ele pensava que ela simplesmente tinha um tremendo mau feitio e muita teimosia. Ela tinha grandes oscilações de humor, que não conseguia controlar e tinha noção disso. Ora sentia-se muito feliz, ficando demasiado enérgica, ora ficava com má cara, recolhida no seu canto e de poucas e azedas palavras. Ele sentia que ela tinha mais valor do que imaginava e impôs a si próprio a missão de a tirar da escuridão onde estava embrenhada. Mesmo quando ela descarregava em cima dele, ele engolia e levava para o lado positivo, usando o humor, para abafar a negatividade. Ela sentia e despejava raiva incontrolável, seguida de frustração, que era substituída por euforia excessiva até atingir uma falsa sensação de poder que conduzia a um enorme vazio. A sua degradação era constante e imparável. Impotente e irritado por não conseguir ajudá-la, ele também explodiu, por não suportar mais as mudanças dela. Nunca mais conseguiram entender-se, para desgosto de ambos. A custo, com o passar d...

It was all a dream Autor: Pedro Cardita

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Ele vê uma foto da rapariga loira, por quem tem uma paixão secreta, com um sorriso misterioso e um letreiro “It was all a dream”, em néon vermelho, acima da cabeça dela. Aquela imagem fica a remoer-lhe até ir para a cama. No quarto, deitado na cama, está de olhos fechados a tentar adormecer, mas lembra-se constantemente do letreiro e vê cada palavra a piscar. Depois vê a sua mão estender-se na direção da rapariga loira, que se afasta ao mesmo tempo que começa a multiplicar-se interminavelmente. Os seus clones misturam-se e originam um caleidoscópio que depois se transforma num túnel de cores psicadélicas, pelo qual ele entra e é sugado para um buraco negro ao fundo do túnel. Entra num espaço vazio, todo negro. De repente, aparece fumo que toma a forma dos lábios dela. Desfaz-se e forma a silhueta dela. Torna a desfazer-se. De forma brusca, como se desse um salto no tempo, volta a ver o letreiro “It was all a dream” em néon vermelho, acima da cabeça da rapariga loira ...

O Passado já lá vai... Autor: Pedro Cardita

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Ela está fechada na casa de banho, em frente ao espelho, a observar-se atentamente. Chateada com a sua própria imagem, faz uma cara irritada e num gesto rápido pega na tesoura que está em cima do lavatório, agarra abruptamente no seu longo cabelo e começa a cortá-lo acima dos ombros. Corta-o com tanta força, que ouve-se bem o ranger da tesoura à medida que vai cortando-o. Fica com um pedaço comprido de cabelo na mão esquerda. Tenta normalizar a respiração que está acelerada. Olha com desprezo para o cabelo cortado que tem na mão e deixa-o cair no chão à frente dos seus pés. Sai da casa de banho com o cabelo cortado acima dos ombros e dá de caras com o Namorado, que lhe pergunta em tom surpreendido: - O que fizeste? - Renasci! - responde ela com um sorriso confiante. FIM

Abraço Autor: Pedro Cardita

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Estão abraçados à alguns segundos, sem dizerem nenhuma palavra. Em silêncio, pensam nos erros que cometeram desnecessariamente. Mantêm o sentido abraço. Não se olham. Apertam-se. Sentem-se um ao outro. Ele e ela curam as feridas num simples gesto muito desejado, mas que demorou a acontecer. FIM

Juventude Efervescente Autor: Pedro Cardita

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Eles partilhavam a paixão pelo cinema. Encontravam-se em bares, cafés, tertúlias ou nas casas uns dos outros e passavam tardes, noites, a verem e a falarem de filmes. Comentavam o que os fascinava nos actores, na realização dos filmes, na direção de fotografia, nas histórias. Esmiuçavam todo o tipo de filmes. Alguns também escreviam sobre a sétima arte em blogs, sites, jornais regionais. Ele era mais um amante de cinema, a querer passar da teoria à prática. Aquela fotografia daquela actriz transmitia-lhe algo. Ele sabia o quê, apesar da constante neblina de mistério que adensava, para manter a importância e não parar de alimentar a sua criatividade. Foi o ponto de partida para mostrar às pessoas o que estava na sua mente. Não conseguiu ficar parado, deu largas à imaginação e começou a escrever uma história para filmar. Durante algumas semanas foi escrevendo e reescrevendo o argumento, até sentir que a mensagem que queria passar, seria claramente transmitida. Falo...