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A mostrar mensagens de janeiro, 2019

Dádiva Autor: Pedro Cardita

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A criança pede-lhe colo e ela dá-lhe. A menina senta-se nas pernas dela, aconchega-se, encostando a cabeça ao seu peito. Ela fala em tom meigo com a criança que permanece no colo, até o Pai a chamar para irem embora. A criança dá-lhe dois beijos na face e um abraço muito apertado. Quando se afasta, de mão dada com o Pai, ainda lhe acena com a mão que tem livre, fazendo-lhe adeus e a sorrir. Ela retribui o mesmo gesto e sorriso à criança. Sozinha, sentada numa cadeira na esplanada do café, o seu sorriso desvanece-se e as lágrimas aparecem. Não se conforma por lhe ter sido tirada, por motivos de saúde, a possibilidade de ser Mãe biológica. Já ponderou adoptar, mas face às complicações do processo, nunca seguiu com a ideia avante. Um dia, tocam-lhe à campainha. Abre a porta de casa e dá de caras com uma criança sozinha. - Senhora tenho fome. - diz a criança com voz triste e enfraquecida. Ela engole em seco. - A minha Mãe deixou-me e tenho fome. - queixa-se a cri...

Sushi Autor: Pedro Cardita

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No restaurante, ela encheu o prato de sushi e sentou-se à mesa com os amigos. Um deles, ficou espantado com a quantidade de sushi que ela pôs no prato. Durante o jantar, começou no gozo com ela, por causa da forma calma como comia, e dizia-lhe que não ia conseguir comer tudo. Ela deliciava-se a comer cada peça de sushi como se fosse a última. Enquanto ele ia fazendo troça, ela fazia ouvidos mocos e saboreava o jantar. Ela devorou o sushi todo e deixou-o estupefacto. Noutro dia, quando ele voltou a ver sushi, lembrou-se imediatamente dela, soltando um sorriso alegre e saudoso. FIM

Mulher Fatal Autor: Pedro Cardita

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Assim que a vi, a atração foi imediata! Fiquei impressionado com a sua presença bela e carismática! Correspondia perfeitamente ao que eu desejava, uma mulher firme, enigmática, invulgar! Era capaz de a seguir até ao inferno, tal o seu magnetismo! Começámos a falar como se nos conhecêssemos desde sempre! Ela encarava qualquer assunto sem rodeios e mudava o rumo da conversa, para onde lhe interessava, sempre no momento certo! E tinha um sentido de humor bastante peculiar. Facilmente atiçou a minha imaginação! Impossível resistir-lhe!  Pôs-me cheio de tesão! Com ela sentia-me vivo! Como ela era feroz! Era a fonte do meu desejo. Foi uma noite inesquecível! Queria que ela fosse só minha! Quando pensava que a tinha sob o meu controle, enganei-me! As feras não se domam, querem ser livres! Perdi-lhe o rasto. Perdê-la para sempre seria a minha ruína. Estava desesperado para a recuperar, a minha loira fatal. A atracção passou a obsessão! Roubou-me a...

O Melhor Amigo do Homem Autor: Pedro Cardita

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Ele aparecia todos os dias no cemitério para visitar a campa do dono. A tristeza do animal comoveu o Coveiro do cemitério, que tinha a fotografia como hobby. Começou a fotografar as idas do animal fiel ao cemitério, até ele falecer. Passado uns tempos, o Coveiro é convidado por um amigo a fazer uma exposição fotográfica, num bar. Aceita o desafio, pois é uma forma de mostrar o seu talento oculto. Uma Senhora vê atentamente a história de dedicação entre o Cão e o seu Dono. Intrigada, pergunta ao Fotógrafo se fez foto-montagem. O Fotógrafo conta-lhe que conseguiu mesmo capturar o fantasma do Dono do Cão. A Senhora responde-lhe que tem um estranho sentido de humor e deixa o bar, ofendida por se sentir gozada. Na rua, ouve um cão a ladrar e sente-se a ser arranhada. Pára, olha à sua volta, mas não vê nenhum animal. Arrepia-se e apressa o passo. Ouve um Senhor a chamar o cão. Volta a parar, olha outra vez ao seu redor, mas não vê ninguém. Esfrega as mãos pelos b...

Luta! Autor: Pedro Cardita

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- Tu tens que pensar mesmo em ser feliz! Reprimes-te imenso, é pena… - diz ele com pena dela. - Um dia eu mudo - responde ela sem convicção. - Não é a questão de mudares...é só tentares mesmo ser feliz - ele aconselha-a. - À s vezes é difícil, quando nada corre bem - ela fala em tom amargo - C usta-me ver-te em sofrimento - desabafa ele. - Habituei-me à dor, não me faz confusão . - ela fala com naturalidade. - Pois… - responde ele resignado. - Viver por viver, não estar bem em muitas alturas e em muitos sítios...faz parte da minha vida neste momento , u m dia muda - o tom de voz dela é triste, derrotado. - É frustrante e triste quando te vejo perdida. - Um dia, eu vou conseguir dar a volta por cima. - diz ela por dizer. - Para o que precisares, estou aqui para te ajudar. - responde ele. - Eu sei. - Acredita que não te estou a dizer isto por dizer. - Sim. Sinto que tens sido verdadeiro comigo! Ele segura na mão dela e diz-lhe nos olhos: - Não te vou l...

Mãe, meu Anjo Autor: Pedro Cardita

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Irrequieto, ele mexe-se de um lado ao outro na cama. Não consegue deixar de pensar nela. Não aguenta mais, levanta-se e abre o estore do quarto. O dia está solarengo. Veste-se e sai de casa, levando consigo a guitarra acústica. Vai para a zona ribeirinha da cidade e senta-se num banco virado para o mar. Põe a guitarra a jeito e começa lentamente e entre espaços a dar os primeiros acordes. A sua face ora solta uma expressão de dor, ora solta uma expressão de saudade. À medida que vai tocando uma melodia triste, as lágrimas escorrem-lhe pelo rosto. Começa a cantar de improviso. Numa estrofe ele faz uma pergunta, na outra obtém a resposta como se estivesse a ouvir a voz angelical da sua Mãe. Não é fácil recordar quem deixou muitas saudades, mas ele continua a tocar para se recuperar. E assim também criou um dos seus maiores êxitos. FIM

Carta Autor: Pedro Cardita

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Ele meteu-se com Ela na brincadeira e daí para a frente ficaram muito próximos, enquanto estiveram no intercâmbio. Embora nunca mais se tenham encontrado, mantêm o contacto através das redes sociais, para saberem como têm progredido as suas vidas. Através do chat, Ele continua a provocá-la na brincadeira, lembrando-a das peripécias que viveram. Ela responde-lhe com humor. Trocam desejos de no futuro, fazerem visitas um ao outro. Mesmo sabendo que é praticamente impossível, pois vivem em Países diferentes e distantes, ele convida-a para o seu aniversário. Ela lamenta e pede-lhe desculpa por não poder ir face a compromissos profissionais. Ele mostra compreensão, embora não deixe de manifestar a satisfação que teria se ela pudesse marcar presença no seu aniversário e se lhe fizesse uma surpresa de última hora. Para o confortar, ela sugere que pode escrever-lhe uma carta e pede-lhe a morada. Ele deixa-lhe a morada no chat, embora não acredite que vá mesmo receber uma car...