Os Desajustados 5º Capítulo Autor: Pedro Cardita
5º CAPÍTULO
Íris leva Lucas até ao pequeno apartamento onde vive com uma amiga, ausente em trabalho. Vão directamente para o quarto.
As paredes brancas dão um ambiente soturno. Há uma janela para a rua, com os estores levantados, permitindo a penetração do sol, que o ilumina.
É pequeno e minimalista. Um candeeiro de presença está sobre uma mesa-de-cabeceira ao lado de uma cama individual, existindo um espelho à sua frente.
Lucas deixa a mala no chão.
Numa parede estão afixadas algumas fotografias de diferentes fases da vida de Íris, desde a infância até à adolescência.
Íris a brincar num jardim de infância. Um retrato no infantário, outro a comer, Íris a saltar de pára-quedas.
- Foi a sensação mais libertadora que tive até hoje. - comenta Íris acerca da sua foto onde salta de pára-quedas.
- Acredito. - Lucas concorda, com alguma inveja.
Noutra foto, Íris está a andar de baloiço, com um sorriso traquinas.
- Sempre tiveste um sorriso traquinas! - repara Lucas, exibindo um sorriso brincalhão.
- Sim. - admite Íris a corar.
- E tinhas umas bochechas engraçadas. - repara Lucas.
- Também. Algumas pessoas divertiam-se a apertar-me as bochechas, o que eu detestava! - ela faz uma careta engraçada.
Lucas continua a observar as fotos: Íris, de cabelo molhado, na praia, de perfil, exibindo elegância.
- Que idade tinhas aqui?
- Tinha feito 18 anos há pouco tempo.
- Hmm... - Lucas retém a opinião só para si.
- Porquê?
- Tens um perfil bonito.
Íris fica calada e um pouco corada. Lucas também não diz nada.
Durante alguns instantes, limitam-se a olhar para as fotografias, evitando olhar um para o outro.
- Assim se percebe porque te livraste do cabelo. - Lucas tenta aliviar a tensão, abordando uma fotografia onde Íris está despenteada com ar de quem acabou de acordar.
- Parecia um bicho do mato. - Íris alinha, mostrando espírito brincalhão. - Dá-me gozo recordar as diferentes fases da minha vida! - explica Íris - Em pequena era um verdadeiro terror! - recorda com um sorriso saudosista, ao mesmo tempo que aponta o dedo indicador direito para uma foto onde está a fazer uma birra.
- Diabinha! - responde Lucas em tom brincalhão.
- Cheguei a trancar o meu Avô no quarto na varanda e batia palmas enquanto o via ali preso. Os bombeiros tiveram que ir ajudar. - Íris sorri com ar traquinas.
- Não gostava de te ter como inimiga. - ironiza o rapaz. Íris sorri bem disposta.
- E tu eras um anjinho? - pergunta em tom provocador.
- Era bem comportado, mas ninguém é santo.
- Ora nem mais! - Íris responde com um sorriso maroto.
Lucas repara no caderno em cima da mesa-de-cabeceira.
- Estás a ler alguma coisa? - pergunta curioso.
- É só um caderno onde anoto algumas coisas. - não dá grande importância.
- Sobre o quê? - o rapaz mostra-se curioso.
- Pensamentos que tenho e gosto de registar. - ela abana os ombros em sinal de menosprezo.
- Tenho curiosidade em ver o que escreves. - Lucas olha concentrado para o caderno - Pode inspirar-me...
- Não é nada de especial. Mas podes ver.
- Às vezes não damos o devido valor às nossas capacidades. - Lucas faz o reparo.
- Mas aqui o artista és tu... - Íris faz um sorriso brincalhão.
Ele segura no caderno e começa a folheá-lo. Mostra-se atento a observar as anotações dela. Vai folheando lentamente cada página, à medida que as vai lendo para si mesmo.
- “Estás a viver o teu sonho?” - lê esta frase em voz alta - Ora aqui está uma questão importante! - vira-se para a rapariga - Será que vivemos realmente os nossos sonhos? Estás a viver o teu sonho?
- E tu estás?
- Tento fazer por isso...embora seja difícil trabalhar no que quero. - reconhece o rapaz com alguma tristeza na voz.
- Nem sempre é possível juntar o útil ao agradável. - sublinha Íris - Eu não trabalho no que gostava, mas tenho que o fazer para sustentar-me e ter a minha independência.
- A troco de ser escrava de imposições? - Lucas questiona-a com alguma rudeza.
- Será que sou eu a escrava? - ele tocou-lhe onde não devia, fazendo a face dela ficar rígida e ergue a sobrancelha, encarando-o com ar de poucos amigos - Já pensaste como seria se não vivesses com o apoio dos teus Pais? - alerta-o.
- Sim. Procurava à mesma, ganhar a fazer o que gosto. - ele mostra-se convicto.
- Não é tão fácil como dizes. Temos que nos adaptar à realidade em que vivemos! - Íris fala com alguma dureza.
- Eu sei. - ele coça o pescoço com desconforto - Mas enquanto não arranjo trabalho...
- Há trabalho, não há é emprego. - ela interrompe prontamente - Antes as pessoas entravam num emprego, com a intenção de ser para toda a vida e acomodavam-se. Agora isso mudou!
- Parecemos uma segunda geração perdida a ter que se adaptar a uma nova realidade. - realça Lucas, tentando desviar o rumo da conversa.
- Será que tens procurado realmente o suficiente? - ela não o deixa desviar o assunto.
- As propostas de trabalho que tenho visto não são muito cativantes. - Lucas fala com sarcasmo.
- Tens que continuar a procurar! - insiste Íris.
- Eu sei. Só acho que ao trabalharmos no que não gostamos, não contribuímos com todo o nosso potencial. Quero trabalhar em algo onde possa mostrar todo o meu potencial, que me faça sentir útil, expor toda a minha criatividade. Enquanto não encontro nada assim, vou metendo as minhas ideias em prática para tentar conquistar o meu espaço. - explica-se Lucas.
Ela fita-o com os seus grandes e expressivos olhos verdes.
- Mas em termos financeiros, ganhas alguma coisa?
- Hummm - ele tenta disfarçar alguma apreensão. - Pensava que eras uma rapariga que gostava de arriscar? - questiona Lucas um pouco desanimado.
- Se o risco for calculado. - Íris mostra prudência.
- Vale a pena arriscar! Se não arriscarmos nunca vamos saber se valeu realmente a pena. - Lucas fala com convicção.
- Podemos não ter muitas oportunidades. - alerta-o.
- Há tantos exemplos de actores, realizadores, escritores, cantores, bandas, que só singraram depois de muito batalharem! Nunca ouviste dizer, que água mole em pedra dura, tanto bate até que fura?
- Já.
- Então... - ele ergue os ombros como se estivesse a dizer a Íris do que é que ela está à espera.
- Talento não te falta, mas só talento não chega! Há tantas pessoas com muito talento, que acabam por passar ao lado de um bom futuro. Às vezes temos que dar a mão à palmatória e fazermos o que não gostamos. Não estou a querer dizer, que não devemos acreditar nas nossas convicções, mas faz tudo parte de um processo de evolução, de amadurecimento. Vamos descobrindo coisas boas e coisas más. Erramos e aprendemos. O que é grave é se não soubermos reagir. É o conselho que te dou! - o tom de voz de Íris mantém-se severo.
- Vou retê-lo! - diz Lucas, com ar prometedor.
- Não o retenhas, para me satisfazeres, mas sim para aprenderes. - Íris avisa-o com ar sisudo.
Ele fica em silêncio com ar pensativo.
- Tive uma experiência que correu mal. - reconhece Lucas, falando com mágoa.
- O que aconteceu? - o tom de voz de Íris suaviza um pouco.
- Bloqueava, emperrava... - Lucas tem dificuldade em encontrar as palavras certas para se explicar - ...não conseguia mostrar o meu valor. Tinha medo de falhar, sentia-me dependente das decisões dos outros, tentava enquadrar-me no que queriam, mas acabava por ficar entorpecido. Quando faço os meus trabalhos, não sei se é por ter mais liberdade ou não estar debaixo das ordens de ninguém, mas consigo exprimir-me melhor e... - Lucas levanta a mão para Íris, dando-lhe sinal para não o interromper - acredita que já me questionei várias vezes onde falhei, mas não encontro respostas.
- Talvez não encontres as respostas por já saberes quais são, mas não quereres admitires!
Revendo-se na opinião de Íris, Lucas engole em seco, faltando-lhe argumentos.
- Às vezes temos que ser “picados” para mostrarmos o que valemos. - reforça Íris - Os meus dias de trabalho também não são sempre um mar de rosas. Até já pensei em largar tudo, de um momento para o outro, mas não são só os outros que erram. O pior que podes fazer é pensares que o mundo está contra ti!
- Eu sei que o mundo não está contra mim, mas é uma luta árdua para conquistar o meu espaço.
- Temos que ter coragem para colocarmos o dedo nas feridas.
- Mas não sou o único na minha situação! E cada vez mais, só nos dão valor quando emigramos. Muitas vezes somos subestimados. - Lucas desabafa com clara tristeza. - Tenho visto pessoas que se sentem frustradas por não conseguirem arranjar trabalho onde são realmente competentes.
- Ainda no outro dia, encontrei um amigo, à vinda do seu trabalho, e ao falar com ele reparei como se sente frustrado, quando lhe perguntei sobre como está a correr o trabalho, que é completamente diferente do que queria. Quando lhe falei sobre o que ele realmente queria fazer, o seu estado de espírito mudou. Até a forma como falava, estava mais animado, participativo, consciente das suas capacidades.
- Até eu noto em ti, transbordas de felicidade quando falas em cinema. - realça Íris. - Mas existem contas a pagar!
- Maldito dinheiro! - Lucas pragueja. - Sempre a fazer girar o mundo. - esboça um sorriso carregado de ironia.
- Mesmo... - desabafa Íris com tristeza na voz.
- São rectângulos de papel. - Lucas ironiza com incredulidade.
Põe Íris a sorrir, contagiada pelo seu humor negro.
- Sabes, tenho curiosidade em ver como as pessoas se comportavam, se o dinheiro não manipula-se isto tudo. - sugere Lucas.
- Também eu. - admite Íris.
- Tenho a certeza que iam haver grandes mudanças nos valores morais! - Lucas fala com convicção.
- Mas temos que ter os pés bem assentes na realidade, senão passam-nos por cima. - alerta Íris - E ao cumprir os meus deveres, sinto-me mais motivada, capaz de evoluir de dia para dia.
- Mas entre seres absorvida no meio de tantos outros casos esporádicos e seres lembrada para sempre, qual preferes?
- Ficar na história. - reconhece Íris com humildade. - E tu queres tornar-te uma influência para as outras pessoas?
- Pelo menos sei que vivi para algo. Mas não basta viver à sombra do que nos trouxe
reconhecimento. Quero mais! - Lucas mostra ambição. Firme, ela olha-o bem de frente e diz:
- Mais uma razão para continuares a procurar trabalho! Palavras...leva-as o vento! Valem o que valem! Os nossos actos é que nos definem! - Íris aponta para a língua, reforçando a mensagem de falar muito e fazer pouco - Vai fazer-te bem conheceres pessoas com ideias diferentes das tuas, que te possam transmitir outros conhecimentos. - conforta-o, pousando a mão direita em cima do ombro esquerdo dele.
- És boa a motivar! - elogia-a.
Íris faz um largo sorriso de satisfação.
- Estou a deixar a minha marca! - fala com boa disposição.
- Devia ter gravado este bocado da nossa conversa. - ele mostra-se arrependido.
- Vamos fazer o vídeo? - Íris desafia-o.
- Sim. - Lucas anui com a cabeça em sinal positivo.
- Onde queres que fique? - Íris põe-se à disposição de Lucas.
- Basta sentares-te na cama. - orienta-a.
- Ok. - ela senta-se a meio da cama. - Estou bem aqui? - Íris preocupa-se para não o atrapalhar.
- Sim. - Lucas responde com serenidade.
Ela está um pouco tensa. A sua posição corporal e os músculos da cara estão claramente rígidos.
- Descontrai. Pensa em algo que gostes. - ele tenta a meter à vontade.
- Ok. - Íris tenta ficar mais descontraída, mas mantém-se tensa.
Ele faz um grande plano do seu rosto. Filma durante algum tempo.
Observa-a, extremamente concentrado, na expectativa das reacções que ela faça.
Sem se aperceber, ela solta expressões subtis, ligeiros movimentos com os lábios, as sobrancelhas ou com os olhos.
Ele faz zoom na direcção dos olhos, que ficam em grande plano.
Ela pisca os olhos e mexe-se um pouco, revelando inquietação.
Ele mantém-se a filmá-la durante algum tempo.
Muda o foco para a boca, fazendo um grande plano da boca, que fica bem centrada. Mantém-se uns segundos a filmá-la. Lucas começa andar à volta da cama, para a filmar de diferentes posições.
Faz um plano de perfil.
Muda o ângulo, filmando Íris de cima para baixo.
- Olha para a câmara. - pede-lhe com gentileza.
Ela dirige os olhos na direcção da câmara, ficando o seu ar frágil enaltecido.
- Pareces feita de cristal, vista desta perspectiva...
Íris esboça um ligeiro sorriso, tentando não perder a postura.
Lucas volta a mudar o ângulo, filmando de baixo para cima.
- Agora vou fazer de ti uma deusa. - ele fala entusiasmado.
Ela deixa escapar um largo sorriso.
- É isso que gosto mais: naturalidade! - realça Lucas, em tom elogioso.
Finalmente Íris descontrai, deitando-se na cama, de barriga para baixo, com as mãos a apoiar o queixo que fica um pouco levantado, como se estivesse a ver televisão.
Ele filma-a com dedicação.
Íris fixa o olhar na objectiva da câmara.
Ele aproxima-se do rosto dela, ficando muito próximos um do outro, sendo a câmara uma barreira entre ambos.
Lucas sente o batimento cardíaco a acelerar e fica com a sensação de Íris o estar a desafiar, mesmo mantendo um ar sereno. Ele desvia a câmara para o espelho, resistindo à tentação.
Filma Íris através do espelho. Fá-lo com uma devoção assombrosa.
- Este plano dá um belo quadro. - opina.
Íris volta a sorrir.
- Na montagem, tenho que congelar este plano e deixá-lo ficar assim, durante uns largos segundos, para que se possa apreciar o momento. - explica.
- Sabes como deixar uma rapariga atrapalhada. - ela sorri animada com ele.
- Não é minha intenção atrapalhar ninguém. Só estou a dizer o que sinto. Há momentos que não devem ser desperdiçados. - justifica-se prontamente.
- Eu sei. - ela sorri com ar cativante.
À medida que a filmagem vai prosseguindo, o ambiente torna-se íntimo, de vez em quando, com os olhares a colidirem.
Lucas volta-se novamente para Íris.
Ela olha para ele, que se baixa para voltar a concentrar-se no seu rosto cândido.
Há qualquer coisa nela que o deixa intrigado.
Será por a idolatrar?
Ela transmite um misto de fragilidade e sensualidade.
Ele começa a sentir vontade de lhe tocar, de a beijar, acariciar. Torna-se cada vez mais difícil resistir-lhe.
Devora-a com o olhar.
Começa a sentir água na boca e o coração aos saltos.
Os olhares fixam-se um no outro.
Lucas desvia a câmara e olha contemplativo para Íris, que o olha nos olhos, com serenidade. Parece que não se deixa seduzir, mas pelo contrário, também está em vias de se entregar a um momento de prazer.
Um silêncio ensurdecedor toma conta do ambiente bastante íntimo.
Os seus olhares substituem quaisquer palavras. Com naturalidade, aproximam-se um do outro como se estivessem a ser atraídos por um íman.
Esquecem todas as contradições que os rodearam.
Beijam-se suavemente.
Ele larga a câmara no chão.
Continuam a beijar-se apaixonadamente.
As respirações aceleram.
Os beijos e as carícias multiplicam-se.
Deixam-se levar pelo desejo.
Ele ajuda-a a levantar a camisa e a tirá-la pela cabeça.
Ela despe-lhe a t-shirt.
Beija-lhe o peito.
Lucas desaperta-lhe o soutien e retira-o.
Íris tem os seios naturais, bem torneados e num bom tamanho.
Ele beija-lhe os seios com intensidade, fervor. Suga-os!
Ela descalça os sapatos e desaperta o botão dos calções, deslizando-os pelas pernas abaixo.
Ele toca-lhe com paixão. A pele dela é suave, macia.
Lucas beija-lhe o pescoço.
Ele despe-se apressadamente.
Com os polegares, ela segura nas tiras laterais do fio dental e desce-o, revelando o monte de vénus rapado.
Ficam nus.
Deitam-se na cama.
Ele fica por cima dela.
Ela arqueia as costas, levanta a cabeça, fecha os olhos e deixa-se levar pela intensa satisfação.
Os corpos unem-se e explodem num momento arrebatador, de profundo êxtase.
Matam a fome de amor com volúpia!

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