Sempre em frente Autor: Pedro Cardita
Sentado à beira da estrada, está cabisbaixo.
Tem os dois braços em cima dos joelhos e a testa apoiada nos braços.
Está numa encruzilhada e gostava que a vida andasse sobre rodas, como os carros que ouve a passar.
Tem vontade de acenar com a mão, pedindo boleia, para ir para longe.
Levanta a cabeça e vai vendo os carros a passarem, como se fosse a sua vida a passar.
Vê a vida a fugir-lhe.
Começa a pensar quais os possíveis destinos daqueles carros e que só param onde os seus condutores quiserem.
Cerra os punhos, semicerra os olhos, levanta-se e começa a caminhar na passadeira pedonal paralela à estrada.
Olha para a sua esquerda, para a estrada.
Ao mesmo tempo, uma condutora olha para ele, que acena-lhe e aponta o dedo indicador direito em frente, porque o destino somos nós que o guiamos.
FIM

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