Loucos Quilómetros Autor: Pedro Cardita
Durante o turno da madrugada, ele pára o seu táxi numa praça de táxis de Lisboa.
Uma rapariga de cabelo preto comprido abaixo dos ombros, está apoiada nos ombros de um casal, que esperam por um táxi.
O rapaz do casal, levanta a mão direita, fazendo sinal ao taxista para parar.
O casal põe a rapariga embriagada, no banco de trás do táxi.
O rapaz diz ao taxista que ela mora na outra margem.
O taxista olha incrédulo para o que se passa.
O rapaz fecha a porta do táxi e vai embora com a sua companheira, deixando a rapariga embriagada, no táxi.
O taxista pergunta à rapariga se vive mesmo na outra margem.
Ela balbucia algumas palavras, dando resposta afirmativa.
O taxista dirige-se para a margem sul.
Durante o caminho, vai tentando comunicar com a rapariga, que frequentemente come as palavras durante as respostas.
O Taxista sobe um pouco o som do rádio, para tentar manter a rapariga desperta.
Quando olha pelo espelho retrovisor no interior do carro, vê que ela adormeceu.
Fica preocupado e lamenta-se porque tinha que lhe calhar uma situação destas, em que tem uma rapariga embriagada no seu táxi, sem saber onde ela mora.
Ele sobe o tom de voz para tentar acordá-la, mas ela permanece adormecida.
Passam a ponte 25 de Abril.
O volume do rádio aumenta bruscamente.
O volume do rádio aumenta bruscamente.
A rapariga estremece e através do espelho retrovisor, o Taxista vê ela a abrir os olhos.
Fala com ela em alto e bom som, avisando que se ela continua a dormir, vai à Polícia, porque não sabe onde ela mora e como a levar a casa.
Ela desperta, embora esteja moribunda.
Ele pergunta-lhe onde mora.
Ela balbucia as letras da zona onde vive, mas não é fácil perceber o que diz.
Taxista pensa um pouco, junta as letras e fica com a ideia que ela mora na Charneca da Caparica.
Para dissipar as dúvidas, pergunta-lhe se mora na Charneca da Caparica.
Ela resposta Caneca.
Ele lamenta-se.
Volta a insistir com ela, se mora na Charneca e a custo, ela solta um sim.
O taxista pergunta-lhe a morada e a rapariga diz as palavras a espaços e mal perceptíveis.
Mas ele não desiste e a custo consegue perceber a rua onde ela mora.
Ele estaciona o táxi num lugar livre e sai do carro.
Abre a porta de trás e ajuda a rapariga a sair do táxi.
Ela começa a rir às gargalhadas.
Ele abana a cabeça e continua a lamentar-se.
Pergunta-lhe pelas chaves de casa.
Ela ri-se cada vez mais.
Ele leva a mão direita aos bolsos das calças dela e encontra no bolso esquerdo, as chaves de casa.
Abre a porta do prédio.
Ela mora no rés do chão.
O Taxista abre a porta de casa dela e leva-a para a sala.
Tenta sentá-la no sofá, mas ela descai no sofá, ficando numa posição estranha e desconfortável.
Continua a rir.
Ele vai embora e ela diz-lhe para ficar.
Ele responde que já fez mais do que devia e deixa-a em casa.
Passado um ano e meio, ele pára o táxi na mesma praça de táxis.
Uma rapariga de cabelo preto liso acima dos ombros, acena com a mão direita para o táxi lhe dar boleia.
O carro pára ao lado dela.
Entra no carro, cumprimenta o Taxista e senta-se no banco ao lado do condutor.
Taxista fica com a sensação de já a ter visto, mas ela está diferente.
Pergunta-lhe para onde deseja ir e ela diz-lhe a mesma morada do ano passado.
Ele solta um sorriso que ela acha estranho e pergunta-lhe se o que disse era para ter piada.
Ele conta-lhe o episódio do ano anterior.
Ela olha estupefacta para ele, enquanto ouve o que se passou.
Durante o caminho, ela agradece-lhe várias vezes e nasce uma relação com muitos quilómetros para percorrer.

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