Cada qual é como é Autor: Pedro Cardita

Ele desejava transformá-la ao seu gosto.
Queria que ela tivesse o mesmo visual que a sua fonte de inspiração.
Ela não concordava e mostrava-se irredutível em mudar, argumentando que não queria imitar ninguém.
Mas ele achava que ela estava muito agarrada a uma imagem estereotipada, por isso, explicou-lhe que poderia ser muito melhor, ao afastar-se da sua imagem gasta.
Ela manteve-se firme, deixando bem claro que ou ele a aceitava como era ou então o melhor seria esquecê-la.
Tentou alertá-lo que estava cego com uma ideia errada e que só se destruiria a si próprio, por nunca conseguir ver um capricho realizado.
Ele não se conformava e pressionou-a, mostrando-lhe montagens feitas com imagens manipuladas e dando todas as justificações para a convencer.
Ela não suportou a pressão e deixou-o.
Ele continuou preso à sua obsessão, alimentando uma fantasia que com o passar do tempo o levou a provar o sabor amargo da frustração e da solidão.
Como alguém lhe tinha dito uma vez: “Cada qual é como é! Há que respeitar! Daí vem a nossa singularidade!”.


FIM


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