Dádiva Autor: Pedro Cardita
A criança pede-lhe colo e ela dá-lhe.
A menina senta-se nas pernas dela, aconchega-se, encostando a cabeça ao seu peito.
Ela fala em tom meigo com a criança que permanece no colo, até o Pai a chamar para irem embora.
A criança dá-lhe dois beijos na face e um abraço muito apertado.
Quando se afasta, de mão dada com o Pai, ainda lhe acena com a mão que tem livre, fazendo-lhe adeus e a sorrir.
Ela retribui o mesmo gesto e sorriso à criança.
Sozinha, sentada numa cadeira na esplanada do café, o seu sorriso desvanece-se e as lágrimas aparecem.
Não se conforma por lhe ter sido tirada, por motivos de saúde, a possibilidade de ser Mãe biológica.
Já ponderou adoptar, mas face às complicações do processo, nunca seguiu com a ideia avante.
Um dia, tocam-lhe à campainha.
Abre a porta de casa e dá de caras com uma criança sozinha.
- Senhora tenho fome. - diz a criança com voz triste e enfraquecida.
Ela engole em seco.
- A minha Mãe deixou-me e tenho fome. - queixa-se a criança com a voz embargada.
Sentindo um aperto no coração, ela responde:
- Entra, eu tenho comida para te dar.
Prepara-lhe uma boa e apetitosa refeição.
Enquanto olha comovida para a criança a deliciar-se com a comida, pensa em como há quem não mereça ser Mãe.
Fica preocupada se a criança tem para onde ir e sente que tem de a ajudar.
Estará a vida a dar-lhe uma nova oportunidade para ser Mãe?
FIM

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